Relatei em um post em ((o))eco Cidades que, recentemente, tive a oportunidade de visitar o emirado do Catar. Na capital Doha, o passeio básico para qualquer estrangeiro que se aventure nesta escaldante península do Golfo Pérsico é uma visita ao bazar (souq em árabe). O principal, a Souq Waqif, fica no coração da cidade e possui dezenas de ruelas com lojas de especiárias, tecidos e outros artefatos típicos do Oriente Médio. Mas não só isso, no bazar o amor pela coleção de aves silvestres também está bem representado. Em uma praça, conta-se pelo menos 10 pequenos comerciantes de aves. Minha surpresa foi ver ali exemplares de três espécies típicas da América do Sul, a arara canindé (Ara Ararauna), a arara-vermelha grande (Ara chloropterus) e um papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva).
Perguntei ao vendedor da loja – cujo nome era Amazon World – sobre de que forma as aves chegavam ali. Ele me disse que eram aves criadas em cativeiro. As araras eram dóceis e brincavam de rolar no chão. Elas podiam ser compradas por cerca de 150 dólares cada.
Amazon World, na Souq Waqif de Doha. Dono diz que animais foram criados em cativeiro (foto Gustavo Faleiros)
Uma consulta a um amigo biólogo (que prefiro omitir o nome) me esclareceu qual é o principal problema com a venda de pássaros em Doha. É bem provável, diz ele, que os pássaros sejam sim de cativeiro. Mas os psitacídeos, como as araras e papagaios, estão entre os animais mais sociais que conhecemos (até falam, vejam só). Vivem sempre em grupo ou no mínimo na companhia de seu parceiro(a). Nas palavras do amigo biólogo: “ninguém que tenha um destas aves em casa pode suprir a demanda por atenção que estes animais precisam”. No vídeo abaixo, o meu registro do papagaio-verdadeiro, nitidamente não muito contente com a exposição no mercado.